O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta principalmente a memória, a linguagem e outras funções cognitivas. Apesar de ainda não existir cura, os avanços da ciência têm buscado novas abordagens para retardar sua progressão e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Nos últimos anos, algumas substâncias já conhecidas por outros usos — como a creatina, o Ozempic e o Mounjaro — começaram a chamar a atenção da comunidade científica por seus potenciais efeitos protetores no cérebro. Mas o que a ciência já sabe sobre isso?
Creatina: mais do que um suplemento esportivo
Muito conhecida no mundo da nutrição esportiva, a creatina é uma substância naturalmente produzida pelo nosso organismo e também encontrada em alimentos de origem animal. Ela atua como uma reserva de energia para as células, especialmente nos músculos e no cérebro.
Estudos recentes têm demonstrado que a creatina pode oferecer benefícios neuroprotetores, auxiliando na melhora da função mitocondrial e na redução do estresse oxidativo — dois fatores diretamente ligados ao desenvolvimento e à progressão do Alzheimer.
Além disso, há evidências de que a suplementação de creatina pode ajudar na manutenção da função cognitiva em estágios iniciais da doença, e também contribuir para preservar a massa muscular, algo muito importante em pacientes idosos e com mobilidade reduzida.
❗ Importante: a suplementação deve ser indicada e acompanhada por um profissional, especialmente em pacientes com doenças crônicas ou uso de múltiplas medicações.
Ozempic e Mounjaro: da glicemia à proteção cerebral
Tanto o Ozempic (semaglutida) quanto o Mounjaro (tirzepatida) são medicamentos originalmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2 e, mais recentemente, utilizados também em tratamentos para controle de peso.
Esses medicamentos são classificados como agonistas do receptor de GLP-1, um hormônio que além de regular a glicemia e o apetite, também está envolvido em processos cerebrais.
Estudos recentes vêm investigando o papel desses fármacos no retardo da progressão do Alzheimer, e os resultados têm sido promissores:
- Redução da inflamação cerebral
- Proteção dos neurônios contra degeneração
- Estímulo à formação de novas conexões neuronais
- Melhora do metabolismo cerebral da glicose
Uma pesquisa publicada na revista JAMA Neurology indicou que o uso da semaglutida pode estar associado a uma redução do declínio cognitivo em pacientes com Alzheimer em fase inicial. O Mounjaro, que combina ações do GLP-1 e do GIP, também tem demonstrado resultados ainda mais amplos em estudos pré-clínicos.
E o que isso significa na prática?
Ainda que não existam indicações formais desses medicamentos especificamente para o tratamento do Alzheimer, os estudos vêm abrindo caminho para novas possibilidades terapêuticas.
O que esses avanços mostram é que doenças como o Alzheimer precisam de abordagens multifatoriais — e que algumas substâncias já conhecidas, quando estudadas sob novas perspectivas, podem contribuir de maneira importante.
Na Clínica Aniella, acompanhamos de perto os avanços da medicina e oferecemos um atendimento humanizado, atualizado e individualizado, sempre priorizando a segurança e a qualidade de vida dos nossos pacientes.